Júlio César

Introdução e Notas:
Victor Raquel

1ª Edição
Formato 16x23,5 cm
ISBN: 972-618-334-0
304 páginas
Ano de publicação: 2004
P.V.P.: 18,80 euros

 

>> Sobre A Guerra das Gálias

Constitui facto incontornável que A Guerra das Gálias, da autoria de Júlio César, se enquadra na categoria dos grandes clássicos do pensamento estratégico.

Com propostas de enorme riqueza para o estudo do fenómeno estratégico, uma leitura atenta do texto que agora se reedita em língua portuguesa revela ainda uma visão clara e sofisticada dos mecanismos conceptuais de que a Roma antiga dispunha para lidar com ambientes de natureza conflitual (e, por que não, também competitiva).

Para vencer, e ao invés do que sugerem certas interpretações fortemente condicionadas pelas correntes do pensamento estratégico da segunda metade do século XIX, Roma possuía um reportório mais vasto que a utilização sistemática e invariável da força militar.

Com efeito, no tempo histórico em que esta obra se integra e como ela tão bem o demonstra, a estratégia ultrapassa em muito o choque puro e duro das armas, muito embora, como é característico dos contextos em que a liberdade de acção é suficiente ou elevada, o instrumento militar seja utilizado com constrangimentos mínimos e com elevada frequência.

Da leitura d'A Guerra das Gálias retiramos, entre outros, o seguinte ensinamento fundamental: para obter superioridade em ambientes de hostilidade ou competitividade deverão ser utilizadas diversas formas de coacção e diferentes modalidades de acção estratégica, recorrendo a múltiplos expedientes que assentem mais na inteligência que na força brutal e usando sempre de enorme sofisticação intelectual na análise das exigências de cada situação em concreto.

Para os que não estão familiarizados com as questões problemáticas da estratégia, A Guerra das Gálias, possuindo um carácter essencialmente descritivo, é uma obra de inegável valor documental e histórico. Nela, Júlio César oferece-nos a sua perspectiva dos acontecimentos.

Relato em primeira-mão, escrito pelo vencedor, foi durante muito tempo relegado pela historiografia para um lugar secundário. Falta de rigor e de isenção foram pecados atribuídos, injustamente, ao autor.

Em poucas palavras, o documento que agora se reedita em língua portuguesa constitui uma riquíssima fonte de informação, com um potencial interpretativo que ultrapassa em muito o facto histórico. Para além do mais, do ponto de vista literário, estamos perante um texto que denota enorme classe e distinção, escrito de forma magistral, cosmopolita na sua essência.

Sem dúvida, uma obra indispensável em qualquer biblioteca que se pretenda completa e equilibrada.